Boletim Focus: Mercado eleva projeções de inflação e Selic diante de tensões globais
Escalada do petróleo e incertezas geopolíticas levam analistas a prever juros mais altos (12,50%) e inflação de 4,17% para o fechamento de 2026. PIB apresenta leve ajuste positivo.
Brasília, 23 de março de 2026 – O relatório Focus, divulgado nesta manhã pelo Banco Central, consolidou a percepção de um cenário econômico mais desafiador para o Brasil. Pela segunda semana consecutiva, as instituições financeiras revisaram para cima as expectativas para os principais indicadores, refletindo o impacto direto da alta das commodities e da volatilidade externa.
Inflação (IPCA) sob pressão
A mediana das projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026 subiu de 4,10% para 4,17%. O movimento de alta é impulsionado principalmente pelo preço do petróleo, que ultrapassou a barreira dos US$ 100 por barril nas últimas semanas devido ao acirramento dos conflitos no Oriente Médio, envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.
Embora o acumulado de 12 meses tenha recuado recentemente para 3,81%, o mercado demonstra ceticismo quanto à convergência para a meta central de 3,0% no médio prazo, citando o risco de repasses nos custos de transportes e energia.
Selic: Menos espaço para cortes
No campo dos juros, os analistas ajustaram a previsão da taxa Selic para 12,50% ao final de 2026 (ante 12,25% na leitura anterior). Este é o terceiro ajuste semanal consecutivo para cima.
-
Contexto: Na última semana, o Copom reduziu a taxa básica em 0,25 ponto percentual, situando-a em 14,75%, mas o comunicado oficial ressaltou uma "serenidade e cautela" redobradas. O mercado agora interpreta que o ciclo de flexibilização será mais curto e lento do que o esperado no início do ano.
PIB e Câmbio
Apesar do cenário de juros mais altos, a expectativa de crescimento da economia brasileira (PIB) teve um ajuste marginal positivo, passando de 1,83% para 1,84% em 2026. Segundo analistas, a alta do petróleo, embora inflacionária, beneficia a balança comercial e a arrecadação federal, já que o Brasil consolidou sua posição como exportador líquido da commodity.
Quanto ao câmbio, a projeção para o dólar ao final do ano permanece estável em R$ 5,40. No entanto, a moeda operou com volatilidade nesta tarde, apresentando alívio após declarações do governo americano indicando uma pausa momentânea nas hostilidades militares no Irã.
Resumo das Projeções (Focus 23/03/2026):
-
IPCA 2026: 4,17% (era 4,10%)
-
Selic 2026: 12,50% (era 12,25%)
-
PIB 2026: 1,84% (era 1,83%)
-
Dólar 2026: R$ 5,40 (estável)

Tribuna do ABCD
Comentários: