O Novo Tabuleiro Global: Trump Oficializa o "Conselho da Paz" em Davos
DAVOS, SUÍÇA – No centro das atenções do Fórum Econômico Mundial, o presidente Donald Trump formalizou em janeiro de 2026 a criação do seu ambicioso Conselho da Paz (Board of Peace). O que começou em setembro de 2025 como uma proposta de 20 pontos para encerrar o conflito em Gaza, evoluiu agora para uma estrutura internacional permanente que visa desafiar a hegemonia da ONU na mediação de conflitos globais.
A Estrutura: Poder Vitalício e a "Taxa de Bilhão"
O Conselho não é apenas uma mesa de negociações, mas uma organização com personalidade jurídica internacional. Seu estatuto apresenta características sem precedentes na diplomacia moderna:
* Liderança Vitalícia: Donald Trump foi designado como presidente inaugural e vitalício do Conselho. Ele detém poder de veto sobre todas as decisões e a autoridade exclusiva para nomear ou destituir membros.
* Membros Permanentes: Países que desejam assento permanente no Conselho devem contribuir com US$ 1 bilhão para um fundo de reconstrução (inicialmente focado em Gaza). Aqueles que não pagarem têm mandatos limitados a três anos.
* O Conselho Executivo: Um grupo de elite para decisões estratégicas, composto por figuras como Marco Rubio (Secretário de Estado), Jared Kushner, o enviado especial Steve Witkoff e o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair.
Do Conflito em Gaza à Governança Global
Embora o braço operacional imediato seja o Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG) — liderado pelo tecnocrata Dr. Ali Sha'ath e supervisionado por Nickolay Mladenov como Alto Representante — o estatuto do Conselho da Paz deixa claro que sua jurisdição se estende a "qualquer conflito internacional".
Pilares do Plano de Paz
Descrição
Desmilitarização
Processo de desarmamento e reintegração (DDR) em zonas de conflito.
Força de Estabilização
Implementação de uma Força Internacional de Estabilização (ISF) para segurança local.
Reconstrução Econômica
Fundo bilionário para transformar áreas devastadas em polos de investimento.
Governança Tecnocrata
Substituição temporária de lideranças políticas por administradores técnicos sob supervisão do Conselho.
Divisão Diplomática
A recepção ao Conselho dividiu o mundo. Mais de 25 países já formalizaram sua adesão, incluindo Israel, Argentina (sob Javier Milei), Hungria, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Turquia.
Por outro lado, o bloco europeu tradicional e o Brasil demonstram resistência. O presidente Lula expressou preocupações sobre a "legitimidade" do órgão, sugerindo que o Conselho tenta "substituir a ONU". Países como França, Reino Unido e Alemanha recusaram o convite até o momento, citando o risco de esvaziamento do Conselho de Segurança das Nações Unidas.
"Este conselho não é apenas sobre Gaza; é sobre uma nova arquitetura de paz através da força e do investimento real", declarou Trump durante a cerimônia de assinatura em Davos.
A sede do órgão foi estabelecida no recém-nomeado Instituto Donald J. Trump para a Paz, em Washington D.C., sinalizando que a estratégia "America First" agora busca institucionalizar-se como a principal mediadora das crises do século XXI.

Tribuna do ABCD
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